Sexta-feira, 18 de Novembro de 2005
Estados de Solidão...

Fala-se muito de solidão...
Frases como “Estou sozinho...” ou ”Sinto-me só...” ouvem-se muitas vezes por aí...
Será uma constatação...ou uma opção de vida...ou ainda um lamento...ou um problema social?

O ser humano é um animal de hábitos...dizem
Mas também é um ser pensante e consciente da realidade onde se movimenta... e não foi feito para estar sozinho...aliás como o não foi a maior parte das espécies animais... como tal necessita de interagir e comunicar com os outros para se sentir vivo e poder evoluir... em termos mentais, sociais, familiares... whatever

Há quem opte assumidamente por viver isolado...
Estou a pensar nos monges que se refugiam no silêncio da oração, na perfeita comunhão e comunicação com a divindade...ou os eremitas que criam a sua própria ilha deserta... e resolvem enclausurar-se do mundo e dedicar a vida ao estudo e à meditação...
Não considero que quer os monges quer os eremitas, apesar de viverem na solidão, se sintam sós...porque presumo que os monges encontrem a plenitude e a pacificação da alma através da oração e da entrega....e os eremitas talvez a encontrem nos estudos e na meditação...ou nas projecções mentais que a meditação lhes permite realizar

E há quem não tenha nunca pretendido viver na solidão...
Talvez devido a um qualquer acontecimento ou vivência,... uma qualquer fuga a algum condicionalismo da vida que massacra por dentro e causa sofrimento... e que faz ter vontade de gritar...”Tirem-me daqui!!.!”... há quem de repente se sinta nú e desprotegido... e só...
E mais tarde ou mais cedo o peso da solidão torna-se insuportável....e surge a procura da não solidão quase como uma exigência...porque embora em termos práticos exista de facto a solidão... em termos mentais é apenas um querer estar, sem querer ser... é um estado de espírito momentâneo e forçado... uma fase intermédia para um novo estágio...uma metamorfose...um crescimento da crisálida que irá mais tarde dar origem à borboleta.... um luto e um lavar de alma....até que as feridas cicatrizem...

São opções de vida...e quando se nos depara uma encruzilhada e optamos por seguir um determinado caminho... sabemos que teremos de arcar com as consequências, sejam elas quais forem, das opções tomadas...

Mas há coisas que chocam...e a mim choca e impressiona o facto de saber que existem pessoas que estão realmente sós...sem alguma vez terem tido direito de opção e muito menos desejo de solidão...que talvez tivessem lutado em vão pela não solidão....e que estão sós...totalmente sós...
Imagino...ou por outra nem sequer consigo imaginar, causa-me arrepios....o que seja um olhar para dentro da alma e SABER que perspectivas, ou objectivos de vida, ou sonhos....não existem...está tudo acabado...é o fim do caminho...é o vazio...
Deve ser uma angústia, uma amargura e um desespero de alma de tal profundidade e dor que dilacera as entranhas... a tocar lá tão no fundo que até sufoca...sem solução...
Imagino que seja o tal sentimento de desespero que leva ao cometimento de actos suicidas...e admiro a coragem....porque convenhamos...é preciso coragem para viver no desespero e coragem para terminar com ele...

Infelicidade existe?....existe sim... defino infelicidade como sendo a que experimentam todos aqueles que se sentem verdadeiramente sós...



Publicado por DianadosBosques às 01:30
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2 comentários:
De nickless a 19 de Novembro de 2005 às 02:53
Como prometi (consegui finalmente entrar...raios!)aqui estou. Primeiro, parabéns pela sensibilidade e clareza de ideias e discurso patente em todos os textos. Presinto que este vai ser (já está a sê-lo) um belo presente para aqueles que gostam de descobrir o outro através das palavras.
Relativamente à solidão, deve ser sempre uma opção. Ninguém devia passar por isso por mera imposição da vida ou das circunstâncias. É triste quando isso acontece porque o melhor da vida são os outros e as trocas de afectos, conhecimentos ou de simples palavras e olhares.
Beijocas e desde já podes contar comigo como fiel leitora ;o)


De apmartins a 20 de Novembro de 2005 às 18:47
Texto muito sofrido?... Muitas vezes (não tantas, no entanto, quantas as desejáveis, e os suicídios são a prova disso), muitas vezes, dizia, embora a viver um profundo sofrimento o ser consegue encontrar em si espaço para a criatividade do devaneio ou do sonho, mesmo que seja lamentoso ou nostálgico. De faco, por vezes, a impossibilidade de estar só na "realidade real" deve-se a uma verdadeira solidão na "realidade interna". Há a este respeito um belissimo texto de Donald Winnicott cujo título é, por si só, bastante sugestivo, "A capacidade de estar só".
Um abroço e boas divagações!


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