Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2005
Máscaras...

No outro dia dei comigo a pensar...em máscaras pessoais...

Existem pessoas que...
Ou por motivos diversos ou por circunstâncias da própria vida...
Ou porque a estrutura de personalidade é um tanto “invertebrada”...
Ou ainda por questões de educação e de formação...
Existem pessoas que olhamos e sentimos que o que estamos a ver naquele momento é falso...elaborado, construído...

Mesmo inconscientemente todos temos máscaras que utilizamos em determinadas situações... e porque será que elas surgem?
Será por timidez?
Por cobardia?
Por inadaptação?
Por defesa?
Uma auto estima muito baixa?

Há pessoas que foram treinando máscaras ao longo da vida...
E elas estão de tal forma plasmadas no indivíduo que já fazem parte da personalidade..agem em vez da própria pessoa e reagem sempre que um estimulo é accionado...
Uma máscara para uma festa... aquilo a que eu chamo o sorriso 35... (timidez)
Uma máscara para poder encarar o chefe, quando a vontade é mandá-lo ir dar uma volta a um sítio muito chique..(cobardia)
Uma máscara para se sentir integrado num grupo de amigos, quando existe a sensação de que não nos acham graça nenhuma (inadaptação / timidez)
Uma máscara para ocultar o sofrimento, porque a ideia é a de que nunca se devem mostrar pontos fracos..deve sempre mostar-se indiferença e fortaleza face às agressões externas e até fingir boa disposição, quando na realidade só apetece chorar (defesa)
Uma máscara de sedução, quando se instala o medo de que o outro não goste da nossa verdadeira identidade (baixa auto estima)

Ora bem... julgo que as máscaras não serão mais do que formas individuais de defesa face a agressões externas, tomem elas as características que tomarem...

Há pessoas que têm consciência da existência das suas próprias máscaras...
Que percebem quando é a máscara que funciona ou quando são autenticamente elas...mas que de certa forma até gostam de accionar a máscara porque dá jeito...
E aprenderam a utilizar-se da máscara como meio para atingir fins desejáveis ou expectáveis...
”hummm... não é que consigo algumas coisas e liberto-me de outras se agir assim desta maneira ou daquela?”....
Outras ainda utilizam-na para se esconderem...não dos outros, penso eu...mas delas mesmas...é mais fácil e mais cómodo...

Mas há outras pessoas que nunca se apercebem disso... digamos que inconscientemente foram sentindo ao longo do tempo que, se agissem ou reagissem de determinada forma, até saíam beneficiadas...que eram evitados golpes mais profundos e sofrimentos maiores...

Pois é... e dia após dia...ano após ano...a máscara cola-se à personalidade e não existe nem consciência nem diferença entre uma coisa e outra... ela refina-se de tal ordem que a personalidade é a máscara e vice-versa...
E depois já não se consegue viver sem ela... então ela passa de personalidade a carácter...
E se alguém disser...”Alto lá...TU não és assim!!!...” a resposta poderá ser qualquer coisa do género...” claro que sou assim... sempre fui assim... porque dizes isso?”...

Até que ponto existe a noção de autenticidade e a noção de personagem numa situação limite?
Será que alguma vez esta pergunta se coloca a quem vive numa constante máscara de si mesmo?
Em que momento terão os outros a noção de que a pessoa que está ali é autêntica... ou, por outro lado, que é a máscara que está a funcionar?...
E depois? Se alguma vez existe essa consciência... se alguma vez, num momento de maior introspecção e lucidez, a pessoa se encara a ela própria... como será que reage a isso?
Choca-se?
Luta conta isso?
Muda?
Adapata-se?
Resigna-se?
Não quer saber?

Como será?...



Publicado por DianadosBosques às 01:16
link do post | favorito

De Carmen a 9 de Junho de 2011 às 01:12
Este post tem já seis anos, bem sei. Mas encontrei este mesmo post numa busca que estava a executar sobre este mesmo tema.
É um tema complexo este, pois pode ter várias interpretações.
Contudo ao ler-te, debrucei-me sobre estas questões e reflexões:
- O nosso ser é uma multiplicidade. Temos diferentes reacções para coisas semelhantes na vida, pois o nosso crescimento pessoal bem como o nosso espírito momental ditam os nossos actos. Daí a pergunta "é uma máscara?" talvez não seja. Talvez apenas seja um reflexo do nosso humor diário, do nosso estado espiritual, ou seja, do momento.
O erro, julgo, está em caracterizarmo-nos como verdades absolutas, como seres finitos. As máscaras existem realmente? Ou é apenas uma parte de nós, uma característica nossa, que vem ao de cima?
Carmen


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